Hoje foi dia de regresso à escola para muitas crianças no nosso país.

Este regresso à escola a meu ver foi o mais complicado dos últimos tempos.

A Leonor entrou no 2º ano da pré-primária e felizmente passou pela escola ainda no mês de Junho, onde teve oportunidade de experienciar algumas das novas “regras” impostas, devido à presença do vírus Covid19 na nossa realidade.

Ontem quando lhe perguntei se estava entusiasmada com o regresso à escola de hoje, respondeu-me com um enorme sim. A facilidade de adaptação da Leonor a mudanças e novas realidades é enorme, o que simplifica em muito as nossas vidas nestes dias mais marcantes.

Hoje acordei-a bem cedo! Eram 07H45 da manhã quando a fiz sair da cama. E acreditem que foi fácil! A vontade de ir brincar com os amigos (ainda que de uma maneira diferente) era enorme. Enquanto a vestia, fiz questão de lhe relembrar todos os cuidados que teria de ter durante o dia. Não pretendemos que se prive de brincar, mas fazemos questão de lhe incutir os cuidados necessários nesta altura.

Depois de vestida perguntou-me porque não podia levar para a escola a mochila que recebeu nos anos e que tanto gostou, expliquei mais uma vez que tinha de ser assim devido ao Covid19. É-nos apenas pedido para a criança levar uns sapatos que fiquem na escola e que são calçados assim que entram na escola, deixando à porta os sapatos que saiem de casa, e uma garrafa de água. A garrafa de água é a única coisa que a criança pode levar e trazer todos os dias. Ficou triste com o facto de não poder levar a mochila com ela, mas compreendeu e acabou por aceitar.

Fomos a pé até à escola, que fica relativamente perto de casa. Quando lá chegámos havia uma fila em que os pais garantiam o distanciamento social para entregarem os meninos. Para os que foram pela primeira vez, foi mais duro. A criança entra num “mundo”, apenas “amparada” por pessoas que neste momento lhe são estranhas, e vê a mãe ou o pai a ir embora no momento, porque a fila que está à espera para entrar na escola é grande. Esse momento partiu-me o coração, e enquanto aguardava a nossa vez deixava-me ansiosa. Perguntei diversas vezes à Leonor se estava tudo bem ao qual ela sempre me respondeu que sim. Assim que chegou a vez dela, deu-me um beijinho e nem olhou mais para trás. Fiquei aliviada pela reacção dela, mas com o coração apertadinho!

Quando a fui buscar, senti-a triste e perguntei se tinha gostado do primeiro dia da escola.

A Leonor respondeu que “sim mãe, mas…”! Percebi que algo se passava e insisti para que falasse abertamente comigo.

“Mãe… a minha sala parece uma sala daqueles meninos mais crescidos. Não temos brinquedos, nem áreas para brincar. Sentamos-nos numa mesa com outro colega (são mesas de dois lugares), e apenas podemos sair da mesa para comer ou para ir à casa de banho. E pior, enquanto os outros meninos brincavam com os colegas das mesas, o meu colega só dormiu. Brinquei sozinha o dia todo!”

Confesso que não estou a saber digerir esta informação, e que acredito que o entusiasmo para o dia de amanhã já não será o mesmo.  Esperava uma realidade diferente, mas não uma diferença tão drástica! A Leonor tem 5 anos acabadinhos de fazer.

E isto, isto não é ensino!!

Um beijinho,

Ivânia Rodrigues

Mamã da Nônô

 

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Ivânia Rodrigues
Written by Ivânia Rodrigues
Nasci em Faro numa tarde de Outono, em Outubro de 1990. Rapariga de boas notas e sempre certinha na escola, fui até à universidade onde estudei psicologia.