Levámos os últimos 7meses “afastadas” pelos horários e próximas pelos fins de semana. Mas levámos os últimos dias tão próximas quanto os primeiros dias da tua vida, em que te tinha de levar nos braços para todo o lado, por seres tão dependente de mim. Estive de férias, e, foram férias tiradas para ti!

Esta noite, foi uma noite em branco, dei voltas e voltas na cama enquanto tu dormias calmamente como sempre, à espera que o novo amanhecer chegasse e fosse apenas mais um dia como todos os outros.
Levei a noite a pensar como iría ser. Se era só chegar, deixar-te e ir embora. Se o melhor era brincar um pouco contigo no teu novo cantinho de modo a te ambientares comigo perto e só depois ir embora. Se te deixava e escondia-me a ver a tua reacção.
Sabes que mais filha? Foram tudo planos, que só no momento é que consegui decidir o que fazer.
Pouco tempo depois de finalmente ter adormecido, acordei contigo… lá estavas tu, em pé na tua caminha e a rires, olhei ás horas e vi que estava quase na hora.
Tentei agir o mais naturalmente contigo, mas custou tanto sentir que te estava a enganar.
Despachámos-nos as duas, pus-te na cadeira no carro, e lá estavas tu toda brincalhona a pensar que íamos passear como costume.
Mal me sentei ao volante, as lágrimas começaram a escorrer descontroladamente pela cara a baixo. Estava a enganar-te, ou pelo menos é isso que estou a sentir que fiz!
Chegámos, foi a viagem mais longa que fiz contigo de carro. agarrei-te ao colo, dei-te um beijo na testa, e lá fomos nós. A educadora, estava ali à nossa espera com um enorme sorriso no rosto, eu, eu estava incapaz de dizer qualquer palavra.
Deixei-te no chão, brinquei um pouco contigo, e vi-te a ires sozinha até perto dos brinquedos que estavam na sala, foi um sentimento agridoce, foi uma mistura de “que bom, sentes-te bem aqui” com “não vais sentir a minha falta?”
A educadora pediu-me para te deixar assim ali entretida e ir para fora da salinha falar com ela. passaram cerca de dez minutos, acabámos de falar, fui-te espreitar sem tu me veres, e lá estavas tu, a gatinhar atrás das bolinhas, estavas tu a ensinar-me a ser forte.
A educadora pediu-me para ir dar uma volta, tu estavas super bem, e logo te ía buscar uma horinha depois.
Quando voltei, mal abri a porta do infantário, reconheci o teu choro, aquele choro de aflição que só eu ou o papá sabemos acalmar.
Senti-me a pior mãe do Mundo.
Desculpa filha, desculpa ter-te enganado, e não ter tido forma de te explicar que o dia não ía ser igual aos outros, que ías para um sítio novo, rodeada de pessoas novas.
Desculpa meu amor, Não consigo sequer imaginar a sensação que sentiste quando olhaste á volta e percebeste que eu já não estava mais ali.Que afinal não tínhamos ido só passear.
Foi tão bom agarra-te ao colo, encostares a tua cabeça no meu ombro e parares de chorar. Oh meu amor, se soubesses o quanto me deixas feliz quando estás assim, calminha nos meus braços.
Desculpa se daqui para a frente o relógio vai demorar tanto a passar até ao final do dia para te ter comigo em casa. Desculpa amor da mãe.
Sabes o que dói mais à mãe? É saber que amanhã vai ser igual, que vais voltar a pensar que vamos só passear, mas afinal vou-te deixar ali naquela salinha novamente.
Sei que um dia ainda vais chorar por teres de deixar a brincadeira, e teres de vir para casa. Só quero que esse dia chegue, e chegue depressa! Até lá… sinto-me a pior mãe do Mundo.
Amo-te meu amor.

 

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Written by Mamã da Nôno
Nasci em Faro numa tarde de Outono, em Outubro de 1990. Cresci numa época em que era comum saltar á corda e ao elástico, ver o batatoon e o Doraemon. Estar na moda era usar calças á boca de sino, ter um discman e um Nokia 3310. Rapariga de boas notas e sempre certinha na escola, fui até á universidade onde estudei psicologia. Adepta ferrenha do Benfica e do Farense, ex praticante de ginástica acrobática, gulosa, extrovertida e apaixonada pela vida. Sempre muito senhora do meu nariz, e depois de alguns amores e desamores naturais da idade, cedo me juntei com o pai da minha filha (O Artur, de quem muito irão ouvir falar), e ainda com 24 anos engravidei. Foi num fantástico dia de sol em Setembro de 2015, que nasceu a minha mais que tudo, a razão deste blog, a pequena Leonor. O Blog 'Mamã da Nônô' surgiu em Março de 2016, quando decidi fazer uma espécie de diário online para que a Leonor um dia tivesse muito para ler sobre nós. Hoje, para além de um simples diário online, é um projecto pessoal ao qual dedico todo o tempo que posso. Sejam bem vindos ao nosso mundo.